Estava ele no deserto, preso, ferido. Naquela noite fria e solitária que só o deserto pode proporcionar.
E depois de ser castigado pelas correntes, depois de toda a dor parar, o sangue cessar, e as feridas estancarem...
...Uma rajada de luz iluminou tudo de tal forma, que tudo foi amenizado.
E ele viu que estava bem.
As cicatrizes estão se fechando, enquanto novos caminhos se abrem.
Com um sorriso singelo, pegou sua velha mochila, e a esvaziou de velhos papéis, pensamentos e receios.
Caminhava, caminhava.
Andou bastante.
Decidiu caminhar para o norte.
Decidiu também contemplar o oásis em que se encontrava.
Pra quê pensar no deserto exaustivo, quente e incômodo, quando estava no oásis?
Pra quê lembrar do medo da falta de água e comida, quando existia muita água e muitas frutas em sua volta?
Deixou as preocupações de lado por um momento.
Esqueceu do deserto por um momento.
Tirou seu diário de viagem da mochila.
Arrancou algumas páginas mais antigas e borradas com seu sangue.
Resolveu melhorar algumas outras com paciência.
Estava renovando.
Bebeu um pouco da água do oásis.
Era bom.
"Se puder, ficaria aqui para sempre. Amo este lugar.", pensou ele.
Era um ótimo lugar, e já chegava quase no centésimo dia de sua jornada.
Já não sangrava, não doía, estava bem.
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