domingo, 24 de fevereiro de 2008

Oásis.

Estava ele no deserto, preso, ferido. Naquela noite fria e solitária que só o deserto pode proporcionar.

E depois de ser castigado pelas correntes, depois de toda a dor parar, o sangue cessar, e as feridas estancarem...

...Uma rajada de luz iluminou tudo de tal forma, que tudo foi amenizado.

E ele viu que estava bem.
As cicatrizes estão se fechando, enquanto novos caminhos se abrem.

Com um sorriso singelo, pegou sua velha mochila, e a esvaziou de velhos papéis, pensamentos e receios.
Caminhava, caminhava.
Andou bastante.
Decidiu caminhar para o norte.
Decidiu também contemplar o oásis em que se encontrava.

Pra quê pensar no deserto exaustivo, quente e incômodo, quando estava no oásis?
Pra quê lembrar do medo da falta de água e comida, quando existia muita água e muitas frutas em sua volta?

Deixou as preocupações de lado por um momento.
Esqueceu do deserto por um momento.
Tirou seu diário de viagem da mochila.
Arrancou algumas páginas mais antigas e borradas com seu sangue.
Resolveu melhorar algumas outras com paciência.
Estava renovando.
Bebeu um pouco da água do oásis.

Era bom.

"Se puder, ficaria aqui para sempre. Amo este lugar.", pensou ele.
Era um ótimo lugar, e já chegava quase no centésimo dia de sua jornada.
Já não sangrava, não doía, estava bem.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O enterro das memórias cremadas.

Que os fantasmas do passado que assombram meu presente sejam exorcisados.
Mas os fantasmas não me incomodam.
O que me incomodam são aqueles vivos que ainda assombram.
Não fique despreocupado, amigo.
Lembrarei de tudo.
Está tudo guardado aqui.
Na minha caixa-f0rte do infinito rancor.
E é assim que eu sou.
Se eu te amo, te amarei com toda minha força, com todo meu carinho.
Mas, se eu te odiar...Será com tamanha intensidade que eu terei que ir ao inferno por sentimento tão horrível.
Então você me encara e me ri.
Ri de mim?
Não devia, tolo.
Porque se eu vou para o inferno, eu te levo junto.
Só que eu já conheci o inferno, eu sei a saída.
Então eu saio.
Aí eu te deixo aí.
No limbo, na cinza.
Depois eu fecho seu caixão.
Enquanto você queima, eu irei brilhar um pouco.
Importa-se?

.Rest in Peace.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O anjo de uma asa só.

E finalmente, houve um lado em mim que precisei enfrentar. Precisei encarar a parte de mim que desejava insanamente vingança, que odiava. Eu tive que encarar eu mesmo. E, pois é, eu perdi. Ou venci? Afinal...era só eu contra mim mesmo.

O importante foi que tudo que havia de ruim em mim reinou. E reinou mesmo...por tanto tempo, que eu perdi as contas. Foi então, muito tempo depois da minha derrota, que aconteceu. Eu estava desfigurado por aquele alter-ego, eu estava totalmente diferente da minha essência, eu tinha me perdido no meu próprio buraco negro, e tinha me engolido numa solidão que eu mesmo criei.

Eu vagava naquele mundo de metal e escuridão, onde tudo é frio, onde tudo é trevas. Por dentro, mal. Por fora, mal. Péssimo. Mas meus joelhos ainda tremiam como a criança de cinco anos que vai para a escola pela primeira vez.

Foi então que eu vi uma luz. Um brilho tão forte, mas distante. Mas era tão forte, que os meus olhos (que não eram mais acostumados ao brilho) foram ofuscados. Fiquei tonto por um tempo. Então eu decidi buscar aquela luz. Caminhei muito tempo até atingir aquela luz...Quando encontrei-a, percebi: era um anjo. Ou anja, se esse termo existir. O que importa é que era uma mulher, com asas de anjo. Porém, uma das suas asas estava ferida. Não podia mais voar com ela.

Aquele brilho tão forte havia diminuído. Porém, ainda existia, ainda que fraco. Foi então que fui buscar um pouco de água pelas redondezas. Algo me dizia que eu devia fazer algo por aquela criatura tão bela. Levei-a comigo, e por muito tempo procurei pela água. Até que um dia a encontrei. Mas surpresa maior do que achar a água, foi o meu reflexo nela. Me espantei, sim.

Eu era como ela. Eu tinha duas asas, bonitas, porém, em desuso. Jamais havia voado! Jamais tinha cogitado que poderia voar! Eu não sabia que possuia aquilo, mas o brilho dela me fez perder a imagem desfigurada, e me ver como era. Molhei seu rosto, suavemente, mas ela estava realmente ferida. Foi então que decidi. Eu podia fazer algo para ela. Eu podia amenizar aquele sofrimento. Não titubeei. Tirei minha asa direita. E tirei a asa direita da pequena anja.

Dei a minha asa a ela. Imediatamente, ela acordou. E um brilho mais forte que nunca invadiu aquela terra. Meus olhos não arderam, tampouco ofuscaram-se. Olhei para ela. Aquele brilho me mostrou que toda aquela terra arrasada era o mesmo lugar de sempre, que eu me encontrei um dia antes da minha derrota. Eu estava numa neblina negra, mas ela me trouxe de volta.

Então ela olhou para mim. Abriu bastante os olhos. Ficara mais bonita assim. Então ela tocou minha mão.

- Quem é você? Por que está aqui? O que aconteceu?

Imediatamente, respondi:

- Faz pouco tempo que descobri quem eu sou...ainda estou descobrindo. Mas...se brilhar mais sobre mim, eu poderei descobrir.

Enquanto dizia isso, não percebi que eu estava brilhando também.

- Chame-me de "Anjo de uma asa só" - Disse eu.

- Vamos brilhar juntos - Respondeu-me.

Sorrimos, e caminhamos rumo ao horizonte.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Felizmente, verdadeiramente.

Um dia o ódio me dominou.
Fui domado.
Meu alter-ego mal, agora descansa em paz.
Um dia ele acorda?
Acho que não.
Tá dormindo, sim.
Mas tá enterrado na minha memória.
No meu coração já mandei ele embora.
E assim eu descubro que posso ser verdadeiramente feliz.
Sendo verdadeiramente verdadeiro.
Irônico, não?
No fim, pra ter uma felicidade plena e real, só foi preciso ser realmente quem sou.
Não se enganem, amigos.
Eu sou excessão.
Eu tenho sorte.
O mundo é superficial.
Nem sempre você vai conseguir vencer sendo você mesmo.
Mas será que valeria a pena ser patético?
Valeria a pena fingir pra vencer?
Um dia já fingi.
Um dia já perdi.
Um dia de caça, outro de caçador.
Um dia fui sincero.
Felizmente, eu venci.
Ou ainda estou vencendo, não sei como afirmar.

Se eu estiver sonhando, que não me acordem.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A Barata.

Meu inimigo.
Ele é como um exterminador de baratas.
Eu sou a barata.
Ele tem que pensar como uma barata.
Ele tem que andar como uma barata.
Ele tem que se mexer como uma barata.
Ele tem que ser como uma barata.
Ele tem que entender a barata.
Só assim ele poderá interfir em mim, a barata.
Ele está à minha espreita.
E eu estou atento.
Ele se move.
Eu prevejo os movimentos.
Um conselho:
Cuidado amigo, ou você pode ser esmagado como uma barata.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Viver assim é um absurdo...

Como outro qualquer.
Como tentar o suicídio.
Ou amar uma mulher.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Os porquês.

"Num dia desses, nesses encontros casuais...
Talvez a gente se encontre...
Talvez a gente encontre explicação."

É...realmente tenho coisas a pensar sobre esses versos...
Cheguei a conclusão que ando às vezes perdendo muito tempo pensando em explicações, em porquês, em porque a situação está de tal forma e não de outra, porque teve que ser assim...
Como alguém me disse, e estoui seguindo: decido que vou pensar menos em hipóteses, em possibilidades, e aproveitar a vida. Afinal, no fim das contas eu estava enganado, não? A vida não é lógica, a vida nos surpreende, e como surpreende.
Houve muita mudança pra mim nos últimos tempos, e assim percebo que procurar motivos e pensar em porquês e hipóteses é besteira. Deixar de viver um bom momento pra pensar nas situações dele é a coisa mais imbecíl que se tem a fazer.

Afinal... o que é melhor? Atuar numa peça, ou apenas ficar analisando o roteiro?
Eu fico com a primeira.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Viajando no Tempo-Espaço.

Todo mundo já pensou em "como seria se eu não tivesse feito tal coisa", ou "como seria se Fulano ainda estivesse vivo". Mas você já pensou na possibilidade de existir um Universo paralelo ao nosso em que uma única ação sua tenha sido diferente? Pois é, eu penso nisso há muito tempo...Irei compartilhar minha idéia, por mais absurda que possa parecer.

E se no lugar de apenas um Universo, uma realidade em que certa ação foi efetuada de forma diferente existissem outros? Uma realidade baseada em cada possibilidade de acontecimento. Uma realidade em que eu não nasci, uma realidade onde o Brasil foi descoberto antes, uma realidade onde o mundo já foi destruído por uma guerra entre EUA e URSS.

É disso que eu ando pensando... Poderiam existir infinitas cadeias de realidades com Universos em que mínimos acontecimentos ocorreram diferente, ou até onde tudo acabou sendo feito diferente. "Tá, e daí?", perguntam-me. A realidade é algo complexo, pensem. Nós podemos estar entrando em outras realidades a qualquer momento... Mas se entrássemos, iríamos perceber? A resposta definitivamente é NÃO. Por quê? Pense: se eu caio em uma realidade paralela, automaticamente, tudo o que teria acontecido comigo nela será instalado na minha mente como um verdadeiro passado que eu vivi, sendo que na verdade eu vivi um passado diferente em outra realidade.

Talvez eu trabalhe mais nesse assunto outro dia, mas eu tento focar em dois pontos com esse texto:

- Se houver uma energia, uma maneira de nos transportarmos em possíveis realidades alternativas, poderíamos ter uma segunda chance de descobrir o que aconteceria se tivéssemos feito diferente.

- Podemos estar viajando entre realidades o tempo todo, e nunca perceberemos, porque novas memórias estão sendo colocadas na nossa mente, e o passado que vivemos até certo momento seria substituido para o da realidade em que teríamos entrado. Sim, complexo, mas talvez real. E isso nos tornaria eternos viajantes do tempo-espaço.

Perdoem-me se soou loucura, mas eu passei anos pensando nisso, precisava compartilhar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Shine...

"I guess a reaction's all I was lookin' for...
You look through me, you really knew me, like no one
Has ever looked before..."
[Mr. Big - Shine]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O inferno vai ter que esperar

Se eu morrer amanhã, vão lembrar de mim?
Vou encontrar a paz?
E os outros que me cercam?
Encontrarão paz sem mim?
E o ódio que sempre existiu em mim?
Irá esvair-se?

Se eu te deixar amanhã...
Vai lembrar do meu sorriso?
Vai lembrar do meu abraço?
Ou de quando te fiz chorar?
Ou de quando eu te fiz rir?

Não sou suficientemente bom
Para ser lembrado por bons atos
Não sou suficientemente mau
Para ser lembrado pelos meus erros
Eu não posso ir-me enquanto eu não souber
Não souber quem sou
Uma história não tem fim
Enquanto não se sabe quem é o personagem principal
Portanto, querida
O inferno vai ter que esperar
Porque isto não pode ser um adeus.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Perseverança é para poucos

Querem saber?
Todo mundo praticamente só faz metas, só diz o que quer.
Mas não fazem nada.
E eu desprezo quem fica fazendo isso.
Quem faz mil planos, diz que faz isso, que faz aquilo, mas no fim não faz nada.
Gente gorda fica fazendo planos de regime, aquelas promessas ridículas de fim de ano. Começa o ano, só engordam, dizem que querem, mas não fazem coisa algum para o merecer.
Vejam só vocês, eu tinha 94 kg. Eu perdi malditos 15 kg em 2, 3 meses no máximo.

Eu digo pra vocês:
Se você perseverar, se não se incomodar com problemas e obstáculos, cê pode fazer praticamente qualquer coisa que quiser. Pode conquistar o que quer. Mas eu não tô falando a curto prazo somente. Pode demorar, e muito pra conseguir o que quer. Mas aí entra em questão se o que você quer é tão importante pra você, que não se incomode em demorar, em sofrer, em tomar porrada da vida pra conseguir. Vale o preço? Não se incomoda? Então corra atrás. Mas, se você for fraco, se você não tiver perseverança...então corra. Corra pra bem longe daquilo que você quer, para não desejar mais, e passe parte vida, até que um dia talvez possa dizer que não precisa daquilo mais. Talvez você falhe em seguir um outro caminho, talvez não.

Mas eu lhes digo: tirem da mente que algo é impossível. Se você tirar, se você ver possibilidade de realização de algum feito, você terá capacidade de fazê-lo. Mas não basta querer, não basta desejar, você tem que acreditar, você tem que fazer. Afinal, amigos, isto é a vida real. E na vida real o que você quer pouco vale. O que vale é o que você faz.